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Técnica do ATEG avalia os resultados parciais do Programa nas propriedades atendidas

Os produtores rurais participantes do grupo de ATEG - Assistência Técnica e Gerencial do Sindicato Rural de Não-Me-Toque, na cadeia da agricultura, já estão conseguindo analisar os dados referentes aos custos, rentabilidade e produtividade alcançadas durante os dois primeiros anos de programa, desenvolvido pelo Serviço Nacional de Aprendizado Rural – SENAR RS.


O grupo que iniciou em maio de 2021, conta com 30 produtores dos municípios de Não-Me-Toque, Lagoa dos Três Cantos e Victor Graeff, que recebem mensalmente de forma individualizada e gratuita a visita da técnica do Senar-RS, a agrônoma Ana Rúbia Graff, responsável por assessorar a propriedade, desde a parte de técnicas produtivas quanto da gestão do negócio, realizando diagnósticos, planejamentos, adequações, capacitações e estratégias de crescimento, visando tornar a atividade mais eficiente e lucrativa.


Faltando 10 meses para finalizar o período de assistência, que totalizará 03 anos, a técnica analisou o andamento do programa, avaliando parcialmente os resultados obtidos de forma geral pelo grupo até o momento.


“Através dos levantamentos de dados, gerados a partir das anotações e controles dos produtores, conseguimos observar alguns resultados interessantes. Calculamos a média dos resultados alcançados pelo grupo”, relatou a técnica Ana Rúbia.


Referente ao custo médio de produção entre os anos de 2021 e 2022, houve um aumento significativo, especialmente em decorrência da elevação de preços dos fertilizantes e defensivos, que acarretou em maior despesa ao produtor. Para o cálculo do custo médio do grupo, foi considerado apenas os insumos, conforme explica a técnica:


“Embora no programa trabalhamos com o cálculo de todos os custos de produção para gerar as médias individuais em cada propriedade, incluindo então a parte de maquinários, depreciação, pessoal e etc, para compor a média de custo de produção do grupo consideramos aqui apenas os custos de insumos, pois como temos participação de produtores de diversos portes, variando de 12 a 600 hectares de planta, não é possível incluir as outras variações nessa média, ficaria desproporcional a análise, já que o produtor maior consegue diluir melhor estes custos”.

Os dados comprovam um aumento significativo nos custos da propriedade. Nessa análise, a soja por exemplo, que é a cultura referência no grupo, teve acréscimo de custo de quase 8 sacas por hectare, e o milho foi a cultura com maior elevação, alcançando 21 sacas a mais de custo entre um ano e outro.


Para compor os preços em sc/ha foram utilizados os valores médios de comercialização obtidos pelos produtores assistidos:

Na questão da produtividade alcançada pelo grupo, a safra de inverno trouxe bons resultados e aumento de um ano para outro, sendo que o clima mais seco favoreceu o bom desenvolvimento das culturas de trigo e cevada.


No entanto, o mesmo não ocorreu na safra de verão. Em 21/22 a estiagem generalizada provocou queda drástica na produtividade e rentabilidade das propriedades rurais. Já na safra 22/23, houve falta de chuva, porém mais regionalizada.

Dentro do grupo, os resultados de produtividade de soja em 2022 variaram de 15 a 46 sc/ha. Essa diferença é devido à ocorrência das chuvas irregulares características do fenômeno La Niña, ou seja, algumas áreas receberam um certo volume de precipitação, outras menos, e outras ainda, nenhuma chuva, e, em períodos determinantes para os componentes de rendimento, fato pelo qual obtive-se tamanha diferença.


Na cultura do milho, essa diferença foi ainda maior. Nas poucas áreas onde choveu quando a cultura estava na fase de pendoamento, espigamento e/ou enchimento de grãos, a produtividade chegou a 146 sc/ha. Em compensação, onde não ocorreram essas chuvas, tivemos produtividades abaixo de 30 sc/ha, com produtores acionando ao Proagro.


Nesse resultado do milho, percebemos claramente como a questão hídrica afeta na produtividade. Tivemos casos em que num final de semana choveu 210mm numa propriedade, e no vizinho, um quilômetro pra frente, não choveu nada, é daí que vem essa diferença lá na colheita”, contou a técnica.


Quanto à rentabilidade, comparando as safras de trigo de 2021 e 2022, embora a produtividade nesta última tenha sido maior, a rentabilidade foi menor, em consequência da alta considerável no preço dos insumos. Assim, mesmo com a valorização do preço do grão, tendo a produção um custo muito elevado, sobrou menos para o produtor, em relação ao ano anterior.

No caso do milho, em 2021 o resultado foi negativo em cerca de 8 sacas por hectare. Já em 2022, como a produtividade melhorou, mesmo que com frustração, no entanto menor que a anterior, ainda houve rentabilidade, atingindo 11 sacas de lucro por hectare.


Para a soja, a diferença foi pouca de um ano para outro, pois na safra anterior os insumos estavam mais caros, mas essa elevação foi acompanhada pela valorização do grão. Nesta última safra os custos ainda estavam elevados e o grão permanecia bem valorizado no momento da implantação da cultura. Mas como posteriormente, nos últimos meses, houve queda no preço da soja, mesmo colhendo melhor que no ano anterior, a rentabilidade quase não aumentou, devido ao custo, ou seja, os insumos foram comprados com soja ao preço de R$ 171,00/sc, porém pagos quando vendida na média de R$130,00/sc. Tudo isso repercutiu na rentabilidade.


“Em 2021 fizemos uma lavoura um pouco mais em conta, mas produzimos menos, e no ano seguinte atingimos produtividade maior, mas tivemos um custo elevado, então por isso a diferença rentável foi pouca. E lembrando que aqui na média geral do grupo estamos considerando só os custos de insumos, se somarmos a parte operacional, praticamente não temos rentabilidade, pois seria em torno de 12 a 15 sacas esse custo operacional”, salientou a técnica.


A cultura que melhor rentabilizou foi a cevada, que teve impacto da elevação dos custos, mas também aumento no preço do grão e boa produtividade, ao contrário do trigo, que teve custo maior, pouca melhora no preço de venda e ainda frustração na produção, devido a geada por exemplo, rentabilizando menos.


“Saber a rentabilidade alcançada é fundamental para o produtor, é isso que mostra o resultado final do seu trabalho”, destacou Ana Rúbia.


Sobre o desenvolvimento do programa, a técnica do Senar avaliou positivamente os resultados que vêm sendo alcançados e o trabalho realizado até agora com o grupo, principalmente com o interesse dos produtores em participar e seguir as orientações, dedicando-se especialmente ao gerenciamento do negócio, que era algo incomum antes do ATEG chegar nessas propriedades.


“É importante fazermos essa análise geral, e isso foi possível com os controles e anotações que os produtores vêm fazendo. Sabemos que a agricultura é uma atividade de alto risco, dependendo de diversos fatores que não podemos controlar, como o clima e a economia. O produtor compra insumos de acordo com as ofertas disponíveis, cultiva com boas técnicas, mas a produtividade final é uma incógnita que envolve muitos fatores e, assim, consequentemente a rentabilidade varia também, sem contar a limitação do valor de comercialização. Por isso além de pensar na parte técnica, precisamos estar com o gerenciamento da propriedade sempre em dia, para poder usar as informações de forma estratégica, planejando as metas, fazendo adequações, de forma a produzir da melhor maneira e equilibrar custos, fazendo com que os negócios se viabilizem e progridam, gerando melhores resultados, que é o objetivo do ATEG”, relatou a técnica.


A presidente do Sindicato Rural, Teodora Lutkemeyer, salientou o quanto este programa está beneficiando os produtores: “Estamos contentes em ver que já é possível analisar os dados do grupo, graças ao bom trabalho que está sendo desenvolvido pela agrônoma Ana Rúbia em conjunto com os participantes, que estão aproveitando bastante as visitas mensais. O objetivo do Senar com o ATEG é justamente esse, subsidiar o produtor com ferramentas válidas, que ele possa usar na sua rotina, tanto na produção no campo quanto no controle e gestão da sua propriedade. Ainda temos mais um tempo de atividade pela frente, e temos a certeza alcançaremos ainda mais resultados”.


O grupo segue com atividades até maio de 2023. Além desse de agricultura, o Sindicato está desenvolvendo desde maio deste ano o ATEG com produtores de leite, na cadeia bovinocultura leiteira.

 

Informações à Imprensa:

Sindicato Rural NMT

Texto: Ana Cláudia Stumm

Contato: 54 3332-1621

Site: sindiruralnmt@dgnet.com.br

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