Mercado de seguro rural está mais aquecido

Perdas nas últimas safras e estímulos do governo federal fazem com que produtores mais precavidos procurem recursos para esse tipo de subvenção

A adoção do seguro rural poderá crescer signiicativamente no Brasil por estímulo federal – em especial, no Rio Grande do Sul – devido a enxurradas que determinaram elevadas perdas na Fronteira-Oeste no início deste ano e à falta de chuva que afetou a soja, em 2018. E partir de 2020, o mercado deverá entrar em um novo patamar com o governo federal, tendo a perspectiva de direcionar US$ 1 bilhão à subvenção e à pulverização melhor do serviço.


Nesta quinta-feira, o BB fez a entrega simbólica de R$ 116 milhões a agricultores do Estado, como Luciano Marangoni, que tiveram perdas com a enxurrada na Fronteira-Oeste no início deste ano. Nos últimos seis anos, o agricultor já precisou acionar o seguro em três safras. O primeiro seguro foi feito há quase 10 anos. “Só no arroz, neste ano, o prejuízo foi de R$ 90 mil, porque perdi toda a lavoura. O custo foi de cerca de R$ 3,5 mil, e tive reembolso de R$ 75 mil. E também tive problema na área de soja. Sem o seguro, seria complicado”, explica Marangoni, de Cacequi, que com a esposa,Heloísa Martignago, participou da cerimônia do BB em Esteio.


Entre os produtores gaúchos a preocupação de Marangoni com o seguro rural não chega a ser uma exceção, mas também não é um hábito da maioria dos produtores. O Banco do Brasil, por exemplo, comercializou o serviço para apenas 9 mil agricultores do Estado em 2018. Mas a tendência é de crescimento entre 10% e 15% já neste ano e também em 2020, avalia Reinaldo Yokoyama, diretor comercial do BB Seguros.


Hoje, existem, basicamente, dois modelos de seguros, o rural (que repõe os gastos com insumos, por exemplo) e o seguro agrícola faturamento (com o qual o produtor garante a reposição da renda perdida), explica Yokoyama.


De acordo com o executivo, o BB representa, atualmente, cerca de 60% de todos os seguros rurais feitos no Brasil, e o modelo vive uma “revolução”.

“Em quatro anos, o seguro agrícola faturamento passou de 1% para quase 10% dos seguros voltados ao setor no segmento da soja.

Ou seja, o produtor está optando mais pelo modelo que garante a renda, que é o ideal”, explica Yokoyama.


No setor privado, a Mapfre, empresa que tem participação do BB, registrou alta de cerca de 40% na venda de seguro rural entre 2017 e 2018, e pode superar esse índice em 2019, de acordo com Pablo Haack, subscritor sênior de Riscos Agrícolas da empresa. No Rio Grande do Sul, a Mapfre já comemora a expressiva alta de 187% na carteira de seguro rural entre janeiro e junho de 2018 ante o mesmo período de 2019.


Também otimista com o ano e o com o futuro está a seguradora Sancor, que espera expansão de 20% em 2019, com o faturamento podendo chegar a R$ 230 milhões. No ano-safra 2019/2020 (de julho de 2019 a junho de 2020), a expectativa é crescer na mesma proporção. A área coberta pelas apólices da companhia pode chegar a 1,5 milhão de hectares, e a receita, a R$ 250 milhões, estima o gerente comercial nacional de seguros de agronegócios da Sancor, Everton Todescatto.


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